Meninas já fazem mais trabalho doméstico que homens adultos, aponta pesquisa

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Uma pesquisa recente sobre trabalho doméstico e de cuidado não remunerado no Brasil mostra que a desigualdade na divisão dessas tarefas começa ainda na infância. O estudo indica que meninas entre 10 e 14 anos já dedicam mais tempo a atividades domésticas e ao cuidado de familiares do que homens em qualquer fase da vida.

A análise faz parte do estudo “Trabalho invisibilizado do cuidado no Brasil: desigualdades de gênero, raça e escolaridade ao longo do curso da vida”, desenvolvido pelas pesquisadoras Jordana Cristina de Jesus, professora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Simone Wajnman e Cássio M. Turra, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O trabalho examina como gênero, raça e escolaridade influenciam a distribuição do tempo dedicado aos cuidados dentro dos domicílios brasileiros.

Entre os resultados, os pesquisadores apontam que meninas de 10 a 14 anos são responsáveis por cerca de 2,4% de todo o trabalho de cuidado realizado no país. Esse percentual equivale ao nível máximo de participação masculina nessas atividades ao longo da vida, observado apenas entre homens de 30 a 34 anos.

A desigualdade se amplia na vida adulta. Mulheres entre 25 e 39 anos concentram o maior volume de trabalho de cuidado não remunerado no Brasil. Embora representem apenas 11,8% da população, elas respondem por cerca de 25,6% de todo o cuidado produzido no país, período em que muitas acumulam trabalho doméstico, cuidado com filhos ou familiares e atividades no mercado de trabalho.

No panorama geral, o levantamento aponta que as mulheres realizam 79,7% de todo o trabalho doméstico e de cuidado não remunerado no Brasil, enquanto os homens respondem por apenas 20,3%. A pesquisa também evidencia que a desigualdade se intensifica quando são considerados marcadores raciais. Mulheres negras são responsáveis por 44,2% de todo o trabalho de cuidado não remunerado, apesar de representarem cerca de 24,1% da população brasileira.

Além disso, uma em cada três mulheres negras transfere mais de 20 horas semanais de trabalho doméstico e de cuidado para outros membros do domicílio, o que frequentemente limita suas possibilidades de inserção no mercado de trabalho e de acesso a oportunidades educacionais e profissionais.

Segundo os autores, essa distribuição desigual não é resultado apenas de escolhas individuais, mas reflete uma organização social marcada por desigualdades históricas de gênero, raça e classe, que continuam a concentrar nas mulheres, especialmente nas mulheres negras, a maior parte do trabalho de cuidado no país.

SAIBA MAISEstudo da UFRN revela dados sobre homicídio de mulheres em domicílios

Fonte: saibamais.jor.br

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