Primeira doutoranda quilombola do PPGCS/UFRN defende tese sobre comunidade do Talhado

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O Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) registrou um marco acadêmico na última sexta-feira (6). A pesquisadora Maria Janaina Silva dos Santos realizou a primeira defesa de doutorado de uma aluna quilombola no programa.

A tese, intitulada Quando nos tornamos quilombola: uma etnografia dos negros do Talhado, analisa a trajetória de luta, resistência e construção de direitos coletivos da comunidade quilombola do Talhado, localizada na Paraíba. O trabalho foi orientado pelo professor Anaxsuell Fernando da Silva.

A pesquisa parte da própria vivência da autora no território e utiliza uma abordagem autoetnográfica para compreender o processo de formação social e política da comunidade quilombola. O estudo investiga como os moradores do Talhado constroem suas identidades coletivas, organizam suas formas de resistência e reivindicam direitos enquanto cidadãos.

Segundo a pesquisadora, a investigação busca aproximar os saberes da comunidade do campo acadêmico, valorizando experiências e memórias historicamente invisibilizadas.

“Sinto que não abro essa porta sozinha; entro acompanhada por todos os que vieram antes de mim e que foram impedidos de acessar esses espaços”, afirmou Maria Janaina.

O trabalho também recorre a elementos como memória oral, pertencimento territorial e ancestralidade para reconstruir a história da comunidade. A proposta é contribuir para a desconstrução de estereótipos associados aos quilombolas e ampliar a compreensão sobre as formas de organização social e política desses territórios.

Ao analisar a trajetória dos negros do Talhado, a pesquisa busca evidenciar os processos de formação, resistência e afirmação política do quilombo ao longo do tempo, destacando a luta coletiva por reconhecimento e direitos.

A defesa representa um marco simbólico para o PPGCS e para a presença de pesquisadores quilombolas no ensino superior, ampliando a participação de sujeitos historicamente excluídos dos espaços acadêmicos e de produção de conhecimento.

Localizada no município de Santa Luzia, no Sertão da Paraíba, a comunidade quilombola da Serra do Talhado tem origem no século XIX e está associada à trajetória de grupos de pessoas negras que buscaram formar territórios autônomos após o período da escravidão. A fundação do quilombo é atribuída ao líder Zé Bento, que teria se estabelecido na região por volta de 1860 junto a familiares e outros descendentes de africanos escravizados.

SAIBA MAIS: Sete pesquisadores da UFRN estão entre os mais influentes de 2025

Fonte: saibamais.jor.br

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